Caminho na penumbra e no abandono,
Na Consolação, sob o mármore frio,
Onde o silêncio escorre num pavio
E a morte dita o seu eterno trono.
A minha vista segue o rastro esguio
Do verme que desperta do seu sono,
A morder a vaidade e o abandono
Da carne que sucumbe ao desvario.
Olho, então, para o alto do jazigo:
A estátua erguida engole o próprio nome
Da elite que a poeira já consome,
E sinto o horror do que trago comigo,
Pois sei que a mente, enfim se cala,
Presa na gélida e eterna marmorala.

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