domingo, 26 de abril de 2026

O Sono de Mármore

Em gélido sepulcro, jaz, alheia,
A forma branca, em mármore carcomida,
Como se a alma, da carne desprendida,
Vertesse o ocre em cada morta veia.
Seu rosto, lívido, em transe se alheia,
Do lodo infame da humana jornada,
Como uma estrela, em Nix sepultada,
Que em sombras densas se banha e ceia.

​No peito inerte, a cruz que não perdoa
A herança vil da vida, já finada,
E a rosa rubra, que a morte atoa...
Como um escárnio em face já calada,
Diz que a beleza, entre o verme e a garoa,
Na tumba fria, inda é proclamada.



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