Vós, vermes-coveiros que escavrais o luto,
No cárneo mármore dum crânio sepulcral,
Não sondais a larva que no fim conduto,
Fecunda a podridão num beijo espectral?
O Tempo é o bisturi que a Matéria dobra,
E nós, os fétidos cadáveres que ele talha,
Sem a glória efêmera da ilusória obra,
Para a urna séptica no fim dessa batalha.
O Cosmos é o cinzel da pútrida idade,
E nós, a carniça que a Química lança;
No hipogeu onde a Morte alcança!
Vinde, vermes! A Noite é a Eternidade!
Não vedes a alma, gás do vil sepulcro?
Ela é o vômito negro da Fatalidade!
