terça-feira, 21 de abril de 2026

O Sono de Mármore

Em pálido sepulcro, jaz, alheia,
A forma branca, em mármore cinzelada,
Como se a alma, de dor atormentada, 
Encontrasse na pedra a doce veia.

Seu rosto, frio, em transe se alheia,
De toda a angústia da humana jornada,
Como uma estrela, no céu apagada,
Que em eterna luz se banha e ceia.

No peito inerte, a cruz que lhe perdoa
Os pecados da vida, já finada,
E a rosa rubra, que a morte atoa,

Como um sorriso, em face já calada,
Diz que a beleza, mesmo na garoa,
Da morte amarga, inda é lembrada.



sábado, 18 de abril de 2026

Musa Tumular

 (Para uma imersão completa nestes versos, convido-o a despertar a atmosfera sonora de Nox Arcana clicando no play do vídeo abaixo)

Sob o negrume de uma noite fria,
Era teu rosto, fluindo ao luar;
Eu via em ti as dores d'agonia,
Perante as flores, silentes embalar...

Em negra veste tão esplendorosa,
Fez de teu vulto musa da saudade.
Vieste então, sombria, langorosa
A santa musa, nossa humanidade!

Estavas morta! E o frio que te envolve
Não gela o olhar que o meu destino corta,
Pois teu silêncio a minha alma absorve...

Sombra de gelo que me apaga a febre,
Tu és a musa que o meu sol conforta,
No negro luto que em meu peito fere!



sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Gênese em Mármore Brumal

 Oh! Que gélido, que dor atroz funérea...
Onde o luto em triste pranto acorda!
De que éter, nessa lápide cinérea,
Vem a dor, que n'alma hoje aborda!

Sublimações das almas, glória celestial!
Revelam o amor que a cripta ignora;
Gélidas moradas, silentes e sideral,
Dos encantos, do Cristo que a alma adora!

Finda aos céus um acorde antes fugaz,
Em glória astral, vibrante, apaixonada
Níveo Salmo, que o luto não consome!

Clarão angélico, sinfônico que apraz,
Da transcendência, mística e velada,
E do consôlo, sacrário do seu Nome! 










sábado, 30 de agosto de 2025

Virgens Mortas

Na noite fria, onde o luar se dilui ao céu,
Jazem as virgens, pálidas da sinfonia...
Seus olhos, antes luz, agora negrume véu,
E uma tristeza que o esquecimento guia...

Jardim de lírios, que ninguém mais rega,
Testemunha a partida em silêncio atróz...
Mas ao longe um hino que a saudade leva,
De um amor latente, que findou em nós.

Desfaz-se o sonho, em fúnebre quimera,
E um cortejo, sob o manto da penumbra,
Da beleza finda, em sepulcral esfera,

As virgens almas que o céu vislumbra,
Que no adeus esse hino encerra,
É a dor eterna que em mim deslumbra.










terça-feira, 29 de abril de 2025

Suspiros Derradeiros

Quando, enfim, à fria lápide acampar,

Com preces fervorosas e uma oração;

As rosas hão de, qual pranto, adornar,

Os sonhos findos de amor e afeição.


Perante Cristo as almas hão de estar,

Junto aos anjos nos édenos sidéreos,

Quem sabe eles, às almas a consolar,

Salmodiando com cítaras, saltérios...


Deitadas no leito, lágrimas e memórias,

E os sonhos todos, cândidos, inefectos,

Em dolentes modas e etéreas glórias...


Talvez para fenecer, de modo anelante,

Em lánguidos suspiros se findarão;

Que do orvalho, e em lágrima restante...




segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Ecos da Solidão

Esta alma triste, soturna e desolada,
Qual uma flor, dolorosa dos prantos
Descrita em sinfonia, bela, adornada,
Evoca saudades, mistérios, encantos!

Evoca saudades, dos sonhos de amor
Além do oceano, das terras distantes
Evoca os sussurros, quais ecos de dor
Do amor esquecido de almas errantes

Soturna flor, como o lírio da solidão
Esquecida nas brumas da imensidão
Sublime essência, aos poetas inspirar...

Soturna Flor, dos hinos, das sinfonias
Antigo amor, do sonho, das melodias
Plangentes, tumulares na alma ecoar...



domingo, 10 de janeiro de 2021

Tumulo Angel of Grief ou Anjo da Dor



 O túmulo do Anjo da Dor (Angel of Grief) ou do Sofrimento, é uma obra feita pelo escultor estadunidense William Wetmore Story (1819-1895) e que hoje serve como um túmulo de pedra em homenagem ao artista e sua esposa Emelyn Story que morreu em 1894, e que encontra-se no Cemitério Protestante, oficialmente denominado Cimitero acattolico  em Roma. Uma réplica feita em 1906 existe no Mausoléu de Stanford na Universidade de Stanford substituindo um criado em 1901, e destruída no terremoto de São Francisco de 1906.

Este moumento fúnebre, encontra-se no Cemitério Protestante em Roma.

O Anjo da Dor é um dos memoriais mais comoventes e visitados no Cemitério Não-Católico de Roma, localizado à sombra da pirâmide de Caius Cestius no distrito de Testaccio da cidade.

Story resolveu esculpir a estátua como uma forma de lidar com a perda de sua esposa, dizendo: “Ela foi minha estadia, minha alegria, minha ajuda em todas as coisas”. Story também poeta, inspirado pelo amor à sua amada esposa, demonstrou todo seu talento ao criar esta obra tão magnífica, e que inclusive serviu como capa de álbum por algumas bandas de Rock.

Em 2004 a banda Nightwish trouxe na arte do álbum "Once", uma ilustração com essa estátua. Outras três bandas já haviam lançado álbuns com esse mesmo anjo: The Tea Party no álbum “The Edges of Twilight” de 1995, Evanescence no seu EP homônimo de 1998, e a banda Odes of Ecstasy, no álbum “Embossed Dream in Four Acts”, também de 1998.

O anjo da Dor foi a última grande obra do escultor e se tornou o local de descanso do artista um ano depois, quando morreu aos 78 anos.

Usei a imagem deste monumento para estampar a capa do blogue Lírio das Almas, blogue destinado à poema de luto. https://liriodalma.blogspot.com/?m=1