terça-feira, 21 de abril de 2026

O Sono de Mármore

Em pálido sepulcro, jaz, alheia,
A forma branca, em mármore cinzelada,
Como se a alma, de dor atormentada, 
Encontrasse na pedra a doce veia.

Seu rosto, frio, em transe se alheia,
De toda a angústia da humana jornada,
Como uma estrela, no céu apagada,
Que em eterna luz se banha e ceia.

No peito inerte, a cruz que lhe perdoa
Os pecados da vida, já finada,
E a rosa rubra, que a morte atoa,

Como um sorriso, em face já calada,
Diz que a beleza, mesmo na garoa,
Da morte amarga, inda é lembrada.



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